quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A ARTE DE SER PROFESSOR


Quando pequena, minha mãe era professora na Escola Barão de Piracicaba, e ela me levava junto, há quase quarenta anos atrás. Observava o respeito que os alunos tinham com a professora. E isso ficou em minha mente. 
Mais tarde, também fui dar aula na rede estadual. E o que encontrei? Um mundo totalmente distorcido do que tinha em minha cabeça. Encontrei com um processo deficitário e desmotivador. Falo no sentido geral, pois sempre existem as exceções, tanto nas escolas como em alunos que são verdadeiras pérolas.
Não vou entrar no mérito se um professor nasce nato ou não. É a mesma questão que se enfrenta nas empresas quanto a liderança, por exemplo. Quero dizer que o professor tem o dom de ser o mestre na jornada de aprendizagem do estudante, além do que é preciso saber a maneira e o momento certo de explicar, de estimular, de cobrar, de ajudar, de aconselhar, de avaliar, de se impor, de aprender e de ensinar.
Hoje em dia, devido aos problemas familiares que muitos estudantes enfrentam, os professores têm de ser mais que um amigo. Muitas vezes, até interferem na própria vida do aluno, para lhes fornecerem um mundo melhor.
Conhecimento todos têm de ter, pois senão, não passariam nos concursos públicos, que diga-se de passagem, questionam apenas a teoria e não a “barra” que um professor hoje em dia tem de passar em sala de aula. 
A paixão por uma determinada tarefa já fez muitas pessoas se tornarem grandes profissionais em suas áreas. Com o professor é mais digno ainda, visto que a responsabilidade de nortear os destinos da criança se torna tarefa que requer habilidade e acima de tudo dedicação.
Ensinar significa instruir, explicar, transmitir conhecimento; contudo, a arte de educar vai além de quaisquer definições e faz do professor uma figura marcante na vida do estudante, seja de mestre ou de um conselheiro. Esta profissão está se extinguindo mundialmente. Esses dados foram divulgados pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e pela Unesco. Advinhem a razão? Os autores deste estudo mostram que as condições de trabalho são ruins e os salários são baixos. 
Passei pela experiência de ser professora durante cinco anos. Tive outra oportunidade e estou em outra profissão atualmente. Isso não aconteceu apenas comigo. Muitos outros também optaram por isso e não se arrependeram. Quem está no meio dessa jornada ou falta pouco para se aposentar, aposta na aposentadoria para se recuperarem do desgaste físico e emocional, que atualmente têm de passar com ameaças, vinganças, assaltos e tiros que muitas vezes acontecem dentro da própria escola.
Neste mês, dedicado ao professor, é necessário o reconhecimento pelo trabalho incessante na formação do ser humano, de superiores, de educadores e principalmente, dos responsáveis ou dos pais das crianças. Só quem é ou foi professor sabe do que estou falando.
Ah se eu pudesse fazer alguma coisa com as condições de trabalho e com os salários... Os professores estariam em primeiro lugar!
Texto publicado em Jornal da Cidade in http://jornalcidade.uol.com.br/rioclaro/colaboradores/imara-hebling-camargo/35721-A-arte-de-ser-professor(a), por Imara Hebling Camargo é Consultora Empresarial e de Treinamento da FIESP. E-mail: ihc-assessoria@uol.com.br

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